Jovens entregam nova pauta ao governo no quarto dia de protesto contra aumento

By Sanchilis Oliveira - 12:10

Ato teve diversas brigas entre manifestantes e insatisfação da população, além de roubo

Mesmo depois de o governador Eduardo Campos ter conversado com uma comissão de jovens e recebido a pauta de reivindicações na última quarta-feira (25), cerca de 500 jovens foram às ruas nesta sexta (27) para protestar pela quarta vez contra o aumento das passagens de ônibus. Eles queriam apresentar ao governador a pauta de reivindicações do próprio Comitê, do qual as entidades estudantis não fazem mais parte. Porém, contraditoriamente, ao chegar no Palácio do Campo das Princesas, perderam a oportunidade, porque a representante não aceitou tirar a máscara e camisa que cobria o seu rosto. O documento acabou sendo protocolado do lado de fora.

Segundo Janaina Oliveira, da Assembleia Nacional de Estudante – Livre (Anel), o uso da máscara é um aspecto positivo do movimento. “É uma questão simbólica. É uma identificação dos ideais, mas sem rosto, representando todos”, explicou. Mas, por outro lado, o uso dessas máscaras deixou parte da população assustada e no prejuízo. Na avenida Agamenon Magalhães, enquanto uma motorista esperava o trânsito ser liberado, um desses mascarados a abordou e roubou o seu celular. “Ele chegou na minha janela mascarado, com a mão embaixo da blusa, pedindo o celular. Não era contra o protesto, mas agora eu sou”, atestou.

O estudante, Carlos José, de 29 anos, diz ter medo dos mascarados. “Acha muito bonito o protesto, mas quando eles estão passando, fico receoso e seguro a bolsa. Quem quer protestar mostra o rosto, quem esconde o rosto é porque está devendo alguma coisa à Polícia”, asseverou.

Esse não foi o único registro de perda de foco e na unidade do movimento. No mesmo local, um grupo de manifestantes não deixaram um motoqueiro passar, chegando a derrubá-lo (confira o vídeo). Ele só conseguiu sair com a ajuda de um agente de trânsito e outras pessoas que presenciaram a cena. O dia teve também espaço para bate-boca com motoristas que pediam para que eles liberassem a Agamenon Magalhães, que ficou interditada por mais de 20 minutos. Alguns tinham a preocupação de manter a sociedade a seu favor, mas não eram maioria.

Entre os populares, o que se via era indignação. “Há dois dias eu perdi a minha mãe. Só sai de casa para resolver um problema inadiável. Tive que descer no Derby e ir andando até a Rua do Sol. Isso é um absurdo”, frisou Marinalva Carvalho, de 50 anos. O metalúrgico Ednaldo Sampaio, de 60 anos, que se disse a favor dos protestos, também se sentiu incomodado. “Estou indo para o Mercado de São José e tive que descer no Derby para tentar chegar andando. Não sou contra protestos, mas do que adianta protestar e atrapalhar a vida de milhares de pessoas?”

Durante todo o protesto, eram comuns brigas entre eles mesmos. Os atritos começaram ainda na concentração, quando um grupo tentou rasgar bandeiras de partidos. As agressões também atingiram a imprensa. Por duas vezes, o repórter fotográfico da Folha de Pernambuco foi agredido. A primeira, durante a concentração, e a segunda, quando foi fotografar a representante mascarada com a pauta de reivindicação em mãos.

Por volta das 19h, depois de uma reunião na frente do Palácio, o grupo decidiu marcar uma reunião para a próxima segunda-feira (30), para decidir os próximos passos do movimento. Além disso, na quarta-feira (1°) eles devem se juntar ao protesto contra o aumento dos parlamentares e, na sequência, acampar na frente do Palácio do Campo das Princesas e, segundo eles, só sairão quando o governador aceitar baixar os valores das passagens.

Folha de Pernambuco

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