Com 500 pessoas, quarto dia de protesto é mais tenso

By Sanchilis Oliveira - 18:19

No Recife, esta sexta-feira (27) segue como mais um dia de protestos contra o aumento das passagens de ônibus. A quarta manifestação tomou corpo a partir das 13h, em frente ao Ginásio Pernambucano, na rua do Hospício, e conta com aproximadamente 500 pessoas. Os participantes deixaram a concentração por volta das 15h, e como das outras vezes, vestem máscaras e usam cartazes para protestar contra a nova tarifa.

Eles seguiram pela avenida Conde da Boa Vista, onde a via no sentido Derby foi totalmente interditada. Fiscais das empresas de transporte coletivo acompanham o protesto para indicar possíveis mudanças no itinerário, e minimizar os transtornos para os usuários. Por volta das 16h10, os manifestantes bloquearam o trânsito na avenida Agamenon Magalhães e na Carlos de Lima Cavalcanti, deixando motoristas transtornados com a situação. Os participantes do ato chegaram a derrubar duas vezes um homem que tentava passar em uma motocicleta, e a CTTU precisou retirá-lo do local. Um caso de assalto também foi relatado pela auxiliar administrativa “C.R”, que estava dentro do carro, no engarrafamento. Ela teve seu celular roubado por um rapaz que vestia a mesma máscara dos manifestantes. Depois de 40 minutos e bate-boca com a população, o grupo retornou pela Conde da Boa Vista, onde o trânsito está complicado nos dois sentidos da via.

O Comitê Pernambucano em Defesa de Pinheirinho e Contra o Crescimento da Repressão aos Movimentos Sociais se juntou à passeata com a faixa “Contra o massacre de Pinheirinho e o crescimento da repressão aos movimentos sociais”. Representantes dos Sindicatos dos Barraqueiros do Recife e também dos Metroviários, estão presentes. Segundo o tenente coronel José Antônio, comandante do 16° Batalhão, 300 policiais estão nas ruas para acompanhar o ato, assim como na quarta-feira (25). A Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) também já foi acionada. Ainda de acordo com o tenente, por volta das 14h30 um grupo partiu para agressão física com outro grupo, na tentativa de rasgar a bandeira de um partido político e de uma associação. Na confusão, fotógrafos que tentavam registrar a agitação também foram agredidos.

André Justino, membro do Comitê Contra o Aumento das Passagens de Ônibus, explicou que o protesto desta sexta é para reivindicar a revogação do aumento das tarifas; o congelamento do preço das passagens por quatro anos; anulação imediata de todos os inquéritos contra os manifestantes; passe livre para estudantes e desempregados; auditoria pública do sistema de transporte metropolitano; e maior investimento e modal de transporte sobre trilhos. Antes formado também por entidades estudantis, o comitê agora reúne entidades sindicais e populares, em um total de 10. André explica que o encontro de quarta-feira com o governador Eduardo Campos, reuniu apenas as entidades estudantis, mas o comitê quer seu espaço e pretende conversar hoje com o governador.

Justino também justifica o número de pessoas presente no protesto de hoje. “Esse pequeno número de manifestantes não representa uma quebra no movimento, mas um reflexo da reunião de quarta-feira. As pessoas acham que está tudo resolvido, mas não está”, afirma. Ele acredita que na próxima semana o protesto será maior, por que os estudantes secundaristas voltam às aulas e vão sentir o aumento no bolso.

O professor de história do IFPE, Maciel Henrique, 33 anos, não participou das edições anteriores por que estava no interior, mas apoiou o ato pela internet e repudiou a ação da polícia militar. Segurando um cartaz com os dizeres “Sou professor e apoio os estudantes”, ele explica que a sociedade sempre deve reivindicar os seus direitos e uma pauta não é garantia de que essas reivindicações serão cumpridas.

Último protesto - O coronel Paulo Cabral, comandante do Policiamento Metropolitano da Capital, informou que entre o grupo que fechou a avenida Conde da Boa Vista, por volta das 21h, no ultimo protesto (25), duas pessoas foram detidas por que estavam fumando maconha. Eles foram levados para a Delegacia da Siqueira Campos, onde foi lavrado um TCO, e liberados em seguida.

Folha de Pernambuco

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