O estado é laico e assim deve permanecer

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Imagem: Reprodução da Internet


Por Sanchilis Oliveira


As eleições de 2018 foram marcadas por muita polêmica, radicalismo, extremos, e tantos outros termos que aqui posso usar. O que quero falar hoje é sobre a importância da permanência do estado laico no Brasil, muita das vezes subliminarmente atacado pelas forças da religião. Diferente do estado laicista que abomina as religiões ou toma partido em favor de alguma. O estado laico mantém uma posição de neutralidade acerca de uma religião oficial para o estado, e separa o clero, do estado, ambos não interferindo na vida do outro, ou intervindo em decisões de foro de ambas instâncias.


Pois bem, mesmo com essa definição colocada na Constituição Cidadã de 1988, ainda há mesmo que timidamente ou de forma subliminar, ações, gestos, e discursos, em que desejam que o estado se submeta a religião como instância primária para a tomada de decisão, principalmente quando o caso é as políticas para LGBTs - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros. Essa guerra entre ativistas da causa e religiosos, além de terem seus excessos, trazem à tona quase que nitidamente, que há uma submissão a religião, em certos momentos, no combate a conquista de direitos para essa classe social.

O não reconhecimento de um casal homo afetivo como família por exemplo, é uma forma de impor o padrão colocado pela religião através do estado, como regra geral para quem crer e quem não crer desta forma. Não seria essa mais uma forma de questionamento da laicidade do estado?

Assim permaneço tentando entender porque os religiosos insistem em usar o estado para impor sua fé, já que o estado deveria ser laico assim como está previsto na constituição, a exemplo das políticas para religiões de matrizes africanas, que é demonizada na maioria das vezes pelo catolicismo e o protestantismo, porque a sua regra de fé abomina. Mas o estado não deveria ser laico? e todos terem o direito de acreditarem no que quiser? serem da fé ou não?

Além de questionável essas ações, vão de encontro ao próprio reformador protestante Martinho Lutero, que lutou pela laicidade, quando questionava a interferência da igreja no estado, e a intromissão nas decisões políticas tomas das pela igreja. Lutero foi um lutador pela separação da igreja e do estado, sem que houvesse interferência de ambos os lados em seu funcionamento, respeitando os limites de cada instância, e a tolerância.

Aí eu termino essa reflexão, em vez de responder, faço mais alguns questionamentos, por que um casal hétero é bonito ver sair por aí de mãos dadas, e um casa homo afetivo é feio, é imoral? se o estado é laico e a religião está abaixo da constituição?

Pare, pense, e separe sua religião, seus princípios norteadores, sua regra de fé, do estado e da constituição que é para todos, diferente de sua fé que é para você. E ela não é a lei de todos.

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