A influência da igreja brasileira nas eleições, e suas posições controversas

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Por Sanchilis Oliveira

Desde o golpe militar de 31 de março de 1964, contra o presidente João Gulart, que após bastante confusão com os ministros militares do Jânio Quadros, que abandonou a presidência, que os religiosos do Brasil, estão muito ligados a candidatos mais a direita, a setores conservadores, e de pouca abertura ao diálogo, assim foi em 64.

A resistência a João Gulart que era vice-presidente, em assumir a cadeira de titular, se deu pela fama de ser um esquerdista. Na época se elegiam presidente e vice separados, e assim foi eleito com as forças conservadoras Jânio, e Jango com o apoio das força mais populares.

Essa fama de "esquerdista" fora atribuída a Jango quando ele ainda exercia o cargo de ministro do Trabalho no governo democrático de Getúlio Vargas (1951-1954), durante o qual aumentou-se o salário mínimo a 100%, e promoveu-se reforma agrária. Atitudes essas consideradas suficientemente "comunistas", pelos setores conservadores na época.

Pois bem, com o plano arquitetado pelas forças armadas, em 1964, o Marechal Castelo Branco, que foi nomeado chefe do Estado-Maior do Exército pelo então presidente da República, João Goulart, em 63, foi o principal líder militar do Golpe de 64. E onde estavam os religiosos e conservadores? ao lado do golpe, que já conhecemos a história.

Nas eleições de 1989, o primeiro pleito eleitoral com o voto direto, após 21 anos de ditadura no Brasil. Naquelas eleições com 23 candidatos a presidência, com direito a Silvio Santos, e tudo mais. e Depois de um governo desastrosos de Sarney, que assumiu depois da morte de Tancredo, os religiosos apostaram em, Fernando Collor de Melo, um político na época, jovem, com a imagem de salvador nacional, que acabou sendo cassado dois anos depois, após confiscar poupanças, e por aí vai.

Nas eleições seguintes, com Itamar Franco, que assumiu a presidência após o Impeachment de Collor, e em um governo intitulado de "Transição", FHC, foi o nome apresentado e mais uma vez a igreja no Brasil abraçou a causa.

Nas eleições de 2002, após oito anos de governo FHC, o na época ministro da saúde, José Serra, foi o nome indicado a sucessão, e abençoado pela igreja, desta vez, a eleição foi perdida, para Lula, candidato odiado pelos setores conservadores. Em 2006 Lula derrota Alckmin nos segundo turno, que também tinha o apoio da igreja. Em 2010, Serra do PSDB, que foi o candidato apoiado pela igreja, também perdeu a eleição, para a Dilma, na época ministra apresentada por Lula, que gozava de alta popularidade, e aprovação em seu governo.

Nas eleições de 2014, com um cenário de crise econômica instalado no Brasil, e a direita organizada para as eleições, a igreja foi mais uma vez uma influenciadora, e garimpadora de votos para Aécio Neves no primeiro, e no segundo turno, Eleição que tratorou, com uma campanha difamatória, patrocinada pelo, PT, PSDB e setores conservadores da sociedade, contra a candidata do PSB, Marina Silva.

Tomado por incredulidade, descredito, e ódio, o Brasil saiu dividido das eleições de 2014, esse sentimento só fez crescer, após a acentuação da crise política, moral, econômica, e institucional do país. Com 14 milhões de brasileiros no desemprego, e outros milhões empurrados para a informalidade, após o impeachment, da presidente Dilma Rousseff. O país seguiu dividido e tomado pelo ódio. Com um governo impopular, e tomado por escândalos de corrupção, tendo a frente Michel Temer do MDB.



A igreja mais uma vez, como garimpadora de votos, abraça a candidatura de Jair Bolsonaro, candidato de extrema-direita, a favor da pena de morte, do armamento da população, e de tantas outras pautas polêmicas. Setores da igreja evangélica, e da igreja católica, na intenção de justificar, se esconde detrás da pecha da defesa da família, e contra o aborto, após tantos dados e fatos históricos aqui citados, deixo a pergunta: Não seria um tanto contraditório, ser contra a descriminalização do aborto (dito por eles como assassinato), e ser a favor de um candidato que é favorável a pena de morte? já que um dos mandamentos é não matarás. Ser a favor de um Deus que prega vida e amor, e ter como candidato, uma pessoa que instiga e promove, um discuso de ódio, contra negros, minorias, mulheres, e gays? e ter escrito em seu livro sagrado, que o amor é o maior de todos os sentimentos. Fica aí uma questão a ser pensada. 

Como diz a canção de Cazuza, estamos vivendo um museu de grandes novidades.

Parem e pensem. Até já... 




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